Questões para um mundo nada plano

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De preguiça a física quântica, teve de tudo no evento Talking Heads, realizado pelo Grupo de Planejamento, na sede brasileira do Google. Quem imagina os planejadores como um grupo de profissionais obcecados por pesquisas e regras rígidas para as campanhas precisa frequentar mais esses encontros. Os planners de hoje são tudo, menos “planos”. E a proposta dessas palestras com alguns dos maiores nomes da área foi justamente falar de cultura, arte, ciência, leis, filosofia, enfim, assuntos teoricamente não tão estritamente ligados a estratégias de comunicação, para, ao fim, descobrirmos que tinham tudo a ver.

A representativa e a percepção foram os temas de Carla Alzamora (Heads Propaganda) e Cris Dias (Facebook), que falaram em sequência sobre, respectivamente, a forma com que negros, mulheres e outros grupos são representados na propaganda e as armadilhas do viés inconsciente, aquele que te faz crer que Steve Jobs é ambicioso e determinado, enquanto uma mulher com o mesmo perfil é chamada de “vaca mandona”. Não por acaso, os dois palestrantes lançaram a mesma provocação: você se acha preconceituoso?

Duas apresentações chamaram a atenção pelo humor: Gustavo Gontijo (LiveAD) falou de filosofia numa conversa em vídeo com ele mesmo (foi hilário e aplaudido de pé). Já o VP de Planejamento da Almap/BBDO, João Gabriel Fernandes, mostrou como a preguiça move o mundo. Uber e Tinder, por exemplo, não existiriam se não houvesse a preguiça de ir à rua chamar um táxi ou buscar um encontro amoroso.

Falando de assuntos absolutamente díspares, como rafting e física quântica, Newton Nagumo (Dentsu) e Marcio Beauclair (Wunderman) acabaram passeando pela mesma reflexão: o quanto que fórmulas e conhecimentos estratificados não funcionam num mundo que muda tão rápido quanto o de hoje (talvez nunca tenham funcionado). Para angústia dos decoradores de fórmulas, Beauclair conta que, na física quântica, as leis tradicionais não se aplicam. No entanto, ainda não existem regras novas comprovadas para esse campo de pesquisa. Então, estudar o assunto é o tempo todo se despir de conceitos para não ter exatamente nada muito certo para colocar no lugar.

Houve muito mais no evento. Algumas apresentações um pouco malucas, engraçadas, fora da curva e até cheias de sentimento, como a de Fernando Diniz (DPZ&T). Tudo isso para fazer o dever de casa mais importante nesse momento de tantas indefinições: levantar questões mais do que se agarrar a velhas respostas.

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